GNC

Quais são as principais vantagens do gás natural como combustível para o transporte?

Economia A utilização de veículos a gás natural veicular (VGN) proporciona economia a dois níveis. Por um lado, na base de um litro equivalente, o gás natural custa cerca de 70% menos que o gasóleo. Por outro, os VGN consomem um combustível de queima limpa, que reduz a necessidade de manutenção no que diz respeito a trocas de óleo, por exemplo. Muitos utilizadores relatam que só necessitam de mudar o óleo a cada 15-30 mil km. As velas de ignição nalguns veículos chegam a durar até 120 mil km.
Ambiente O GN é o mais limpo dos combustíveis alternativos. As emissões de escape dos veículos a gás natural são muito inferiores às dos veículos movidos a gasolina. Assim, as emissões de dióxido de carbono dos VGN são cerca de 20% inferiores, as emissões de hidrocarbonetos não metânicos (HCnM) são 80% inferiores, e as de óxidos de azoto são 40% inferiores. Além destas reduções de poluentes, os VGNs também emitem quantidades significativamente inferiores de gases com efeito de estufa e toxinas, relativamente aos veículos a gasolina.

Segurança Os veículos propulsados a GN são tão seguros quanto os veículos que operam com combustíveis tradicionais como a gasolina. De facto, em países com tradição na utilização de VGNs, muitos administradores de transportes escolares optam pelo GN para mover os autocarros das escolas. O gás natural, ao contrário dos combustíveis líquidos e do GPL, dissipa-se na atmosfera em caso de acidente, evitando-se os riscos de incêndio criados por poças de gasolina ou gasóleo ou GPL no chão.
Nos EUA foi efectuado um inquérito a mais de 8 mil veículos que circularam cumulativamente 450 milhões de quilómetros entre 1987 e 1990 (o mais recente até o momento). O inquérito revelou que a taxa de acidentes para VGNs por quilómetro veicular viajado (QVV) era 37% inferior à taxa de acidentes de veículos movidos a gasolina e 34% mais baixa do que o conjunto de toda a população de veículos a gasolina registados. Além da taxa mais baixa de acidente, nenhuma morte foi registada nos VGNs examinados no inquérito. Em contraste, as mortes associadas com frotas de veículos a gasolina inquiridas mostram 1,28 mortes por cada 100 milhões de QVV. A média nacional era de 2,2 mortes por 100 milhões de QVV para todos os veículos a gasolina dos EUA.
Há duas razões fundamentais para este excelente registo de segurança do VGNs: a integridade estrutural do sistema combustível e as qualidades físicas do GN como combustível.
Os cilindros de armazenagem de gás natural comprimido (GNC) usados nos VGNs são muito mais fortes do que os reservatórios de gasolina. A concepção dos cilindros dos VGNs é sujeita a testes obrigatórios severos, tais como calor e pressão extremos, tiros, colisões e incêndios.
Se os cilindros de armazenagem de GNC são muito mais fortes do que os reservatórios de gasolina, os materiais compósitos usados para encapsular os reservatórios são fundamentalmente mais suscetíveis a danos físicos do que os metais sob condições extremas. Por esta razão, os materiais compósitos nos cilindros de GNC devem ser sempre manuseados e protegidos adequadamente. Incidentes com rupturas em cilindros de GN revelaram que se verificou sempre alguma forma de ataque químico ou dano físico ao material compósito que envolvia o cilindro.
Os sistemas de combustível dos VGNs são "selados", o que impede quaisquer fugas ou perdas evaporativas. Mesmo que ocorresse uma fuga num sistema de VGN, o gás natural dissipar-se-ia na atmosfera porque é mais leve do que o ar (densidade relativa de cerca de 0,5).

Propriedades
Gás Natural
Gasolina
Diesel
Limites de inflamabilidade
(% volúmica no ar)
5 a 15
1,4 - 7,6
0,6 - 5,5
Temperatura de auto-ignição
(ºC)
450
300
230
Energia de ignição mínima
(10 6 kJ)
0,26
0,22
0,22
Temperatura-pico de chama
(ºC)
1884
1977
2054
Fonte: Natural Gas Vehicle Coalition


O GN tem uma temperatura de ignição bastante superior à gasolina e ao gasóleo. Além disso, os limites de inflamabilidade são superiores, i.e., são necessárias maiores concentrações de gás no ar para que haja combustão.
O GN não é tóxico nem corrosivo e não contamina os solos. O GN não produz aldeídos significantes ou outras toxinas no ar, as quais constituem uma preocupação em relação à gasolina e a alguns outros combustíveis alternativos.
Os VGNs usam a mesma energia que, com segurança, aqueceu casas e cozinhou refeições ao longo de mais de 100 anos .

Abundância de GN No início de 1996 as reservas provadas mundiais de GN chegavam a 147,5 mil milhões de m 3 . Numa área de fácil acessibilidade para a Europa, através de gasodutos ou de navios metaneiros, concentram-se 76% das reservas mundiais de GN: no território da ex-URSS (39% das reservas mundiais); em África (cerca de 6%, dos quais 3,7 mil milhões de m 3 na Argélia, 3,2 mil milhões na Nigéria e 1,3 mil milhões na Líbia) e no Médio Oriente (cerca de 31%).
As reservas provadas mundiais de GN equivalem ao praticamente ao dobro das de petróleo. O número de anos de consumo das reservas de GN é muito superior ao do petróleo. Isso significa que mesmo depois de acabarem as reservas de petróleo recuperáveis do planeta ainda haverá GN disponível para 30 a 40 anos de consumo. Para mais informações acerca das reservas de petróleo e de GN consulte o sítio web da Association for the Study of Peak Oil and Gas (ASPO) .
Além disso, o GN pode ter uma origem não fóssil: o biometano . O biometano é um upgrade do biogás, o qual pode ser produzido a partir de resíduos (o que não compete com a produção de alimentos, como no caso dos biocombustíveis líquidos). Já há centenas de autocarros em Madrid que circulam a biometano.